



Alexandra Delfino de Sousa, administradora de empresas e diretora da Palavra Mestra
Como atividade estratégica, a engenharia relacional traduz-se em um processo de influência, que se reporta à função de suporte das atividades de, pelo menos, três níveis de autoridadepresentes na gestão organizacional:
Stakeholders – Seus comportamentos podem afetar a persecução dos objetivos de nossa organização. São especialistas com potencial estratégico.
Public stage – Os stakeholders se convertem em público ativo quando tendem a ocupar espaço que nos é vital estrategicamente, passando do potencial à ação.
Issues stage – Esses públicos organizam-se em torno de problemáticas e questões (issues), que deveremos dominar e gerir por antecipação.
Ser capaz de estabelecer profundas relações privadas com todos os personagens-chave garante informação ampla, segura e exclusiva.
PLANO DE ENGENHARIA RELACIONAL
O processo de planejamento para a engenharia relacional passa pela seguinte linha de orientação:
1. Construir um mapa de stakeholders (veja página anterior) partindo da mais completa e detalhada lista dos grupos e pessoas que se relacionam com as organizações e os temas implicados. Procuramos todos os públicos que influenciam o meio, afetando-o ou sendo afetados por ele.
2. Elaborar um mapa das ligações dos stakeholders a outros públicos.
3. Investigar qual é a tipologia de interesses de cada stakeholder. Cada um pode ter importância e significações distintas, dependendo dos objetivos e metas estratégicas no tempo.
4. Conhecer qual é o poder de cada stakeholder, relacionando-o com os interesses que o colocam em jogo.
5. Construir uma matriz de prioridades ativas em relação a cada stakeholder.
6. Controlar, a partir das decisões e posicionamentos estratégicos resultantes
de mudanças nos círculos de influência. Corrigir os desvios encontrados.
Pretendemos investir em ações com vista à criação de massa crítica
relacional, junto de quem faz opinião (a mídia, os formadores de opinião,os responsáveis setoriais, os especialistas, os criadores, os profissionais de marketing, os publicitários, os políticos etc.).
ESTRATÉGIAS OPERACIONAIS
Todas essas interações, assim como as metodologias enumeradas, devem ser vistas como resultado de uma série de convenções e interesses que visam, antes de mais, proporcionar a aproximação à verdade consensual.
Partindo da necessidade de desenvolvimento efetivo de estratégias operacionais, ante um tecido relacional denso, junto de grupos de interlocutores estruturados e organizados, assume-se que essas ações deverão ser suportadas por correntes de opinião elaboradas, surgindo então a necessidade de profissionalização de todas as práticas comunicacionais, sem exceção.
Assim, de forma a ampliarmos os vínculos de privilégio nas relações com os referidos públicos, será necessário procedermos a uma cautelosa e constante análise dos limites de decisão informativa, internos e externos.
Os formadores de opinião acrescentam valor aos acontecimentos ao longo da cadeia de montagem da informação, traduzindo a mensagem para um idioma público (simplificado), uma vez que eles não são simples distribuidores (multiplicadores) de matéria-prima; mais do que isso, tornam-se juízes em causa alheia, não só por suas interpretações sobre os mais variados fenômenos (public stage), como igualmente por serem, na atualidade, a matriz do que é ou não interessante dos pontos de vista social, econômico, político etc., ou seja, dos temas que têm, ou não, notoriedade (issues stage). Baseados na objetividade, nos critérios de legitimidade, de credibilidade, de prestígio e de popularidade, a engenharia relacional pretende instituir meios de controle sobre os eventuais vieses provocados pelas fontes de informação e decisão, de que são exemplos principais a mídia e os orçamentos publicitários.
A credibilidade obtém-se nessa atividade pela não-filiação a qualquer grupo de pressão, pela forma de ser dialogante e trabalhar pensando no longo prazo, nunca perdendo de vista seu centro de valores humanos. Falamos na gestão da influência no nível dos imperativos ideológicos, profissionais, comerciais, técnicos etc.
Com o intuito de podermos projetar ações no nível da engenharia relacional, deverá existir afinidade entre os mais variados níveis de decisão interna, isso de forma a acautelar que todas as oportunidades serão aproveitadas.
Lembre-se de que o poder informal de quem constrói a opinião é assegurado pela capacidade de representação, avaliação e reivindicação, em face dos outros poderes, pelo que a gestão da influência organizacional é muitas vezes difícil e mesmo embaraçosa de ignorar, devendo esses especialistas evitar fanatismos e falsos entusiasmos.
HSM Management Update nº 62 - Dezembro 2008
Essas qualidades ajudam a vencer a competitividade dos tempos modernos. Pela experiência pode-se afirmar que a maioria das pessoas, se estimuladas, podem desenvolver habilidades empreendedoras. Ouve-se e fala-se que o empreendedor precisa ter visão. Visão pessoal. Uma visão que vem de dentro. A maioria das pessoas tem pouca noção da verdadeira visão, dos níveis de significado. Metas e objetivos não são visão. Ser visionário é imaginar cenários futuros, utilizando-se de imagens mentais. Ter visão é perceber possibilidades dentro do que parece ser impossível. É ser alguém que anda, caminha ou viaja para inspirar pensamentos inovadores.
Esse enfoque se volta à disposição de assumir riscos e nem todas as pessoas têm esta mesma disposição. Não foi feito para ser empreendedor quem precisa de uma vida regrada, horários certos, salário garantido no fim do mês. O empreendedor assume riscos e seu sucesso está na “capacidade de conviver com eles e sobreviver a eles” (Degen, 1989, p.11). Gerber (2004), apresenta algumas diferenças dos três personagens que correspondem a papéis organizacionais, quais sejam:
a) o Empreendedor, que transforma a situação mais trivial em uma oportunidade excepcional, é visionário, sonhador; o fogo que alimenta o futuro; vive no futuro, nunca no passado e raramente no presente; nos negócios é o inovador, o grande estrategista, o criador de novos métodos para penetrar nos novos mercados;
b) o Administrador, que é pragmático, vive no passado, almeja ordem, cria esquemas extremamente organizados para tudo;
c) o Técnico, que é o executor, adora consertar coisas, vive no presente, fica satisfeito no controle do fluxo de trabalho e é um individualista determinado.
É importante destacar no pensamento de Gerber (2004) o fato dos três personagens estarem em eterno conflito, sendo que ao menor descuido o técnico toma conta, matando o visionário, o sonhador, o personagem criativo que está sempre lidando com o desconhecido. Os riscos fazem parte de qualquer atividade, sendo necessário aprender a administrá-los, pois eles são um dos fatores mais importantes que inibem o surgimento de novos empreendedores. Um outro fator inibidor é o” capital social” que são valores e idéias que sublimemente nos foram incutidos por nossos pais, professores, amigos e outros que influenciaram na nossa formação intelectual e que, inconscientemente, orientam nossas vidas.
Dessa forma, um pai engenheiro desperta no filho o ideal de seguir a mesma carreira, militares, pilotos, esportistas, até pessoas que raramente vão vislumbrar ou ter interesse numa carreira de empreendedor exercem sua influência na formação das pessoas. É de se considerar, porém, que a avaliação mais objetiva do preparo para empreender é a percepção que a pessoa tem de si própria, refletindo na sua autoconfiança. Com o potencial empreendedor também isso acontece. O que se aprende na escola, nas pesquisas, nas observações, vai se acumulando. O preparar-se para ser empreendedor, portanto, inicia-se com o domínio que se tem sobre tarefas que se fazem necessárias, o próprio desenvolvimento da capacidade de gerenciamento. O que falta, na verdade, é motivação para uma tomada de decisão para se tornar um empreendedor.
Decisões tomadas no cotidiano são inúmeras. Os processos de decisão nem sempre são simples, objetivos e eficientes como deveriam ser pois, se a intuição está de um lado; a análise racional está do outro.
Descrevem-se aqui os oito estilos de decisão, relatados por Cohen,(2001):
A decisão é de cada um. Interagir, refletir, deixar a cada um o momento de uma descoberta e desenvolvendo habilidades específicas para o sucesso da sua escolha é de responsabilidade única e exclusiva. As características comuns que se encontram no empreendedor que fez uma escolha, tanto nas universidades como na sociedade, são difíceis para listar com precisão, porém diferentes autores chegaram a algumas conclusões. Elas dizem respeito às necessidades, conhecimento, habilidades e valores.
As necessidades que se referem a conhecimentos, Lezana (1995, p.78) assim elenca:
As necessidades que se referem aos valores, Empinotti (1994), argumenta que são os existenciais, estéticos, intelectuais, morais e religiosos. É preciso, no entanto, ser registrado que, no contexto empresarial, essas características podem se desenvolver e atuar de forma positiva ou negativa. É a personalidade do empreendedor que fará o impacto decisivo para o sucesso.