sexta-feira, 18 de julho de 2008

OTIMISMO X ESPERANÇA

Por Luisa Monteiro


Entre as minhas pesquisas e leituras na internet e nos livros me deparei com uma crônica de autoria desconhecida que dizia o seguinte:
“Perguntando certa vez a um líder pacifista árabe, se ele era otimista em relação ao fim da guerra na Palestina, ele respondeu:
Existe uma diferença entre otimismo e esperança. O otimismo é baseado na razão e na probabilidade, já a esperança alicerçada na emoção e no desejo".

Pesquisei um pouco mais sobre a crônica e descobri uma entrevista ao representante da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em Jerusalém, Sari Nusseibeh, que em resposta a uma pergunta do entrevistador da revista veja, em abril de 2002, sobre se ele era otimista respondeu – Existe diferença entre otimismo e esperança. Otimismo e pessimismo dependem da razão. Esperança depende das emoções. Se usasse apenas minha razão, provavelmente diria que sou pessimista. Mas não uso somente meu raciocínio. Também utilizo meu coração, e nele há esperança. Por isso, trabalho pela paz, que não é apenas um direito, mas também uma necessidade existencial.

Ao ver as semelhanças de racicíonio entre a crônica e a entrevista resolvi me aprofundar um pouco mais nessa diferença existente entre duas palavras que são muito usadas, mas que de certa forma confundem um pouco em seus reais significados.
Me acompanhem novamente nessa aventura maravilhosa de descobrir significados e entender contextos. Vamos lá?

Bom, primeiramente vejamos o significado de cada palavra separadamente, segundo a wikipédia:
Esperança

Na visão da filosofia é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal.
A esperança requer uma certa perseverança — isto é, acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário.
Exemplos de esperanças incluem ter esperança de ficar rico, ter esperança de que alguém se cure de uma doença, ou ter esperança de que uma pessoa tenha sentimentos de amor recíprocos.


Otimismo

É a disposição para encarar as coisas pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis. É o oposto de pessimismo.
A oposição entre otimismo e pessimismo é seguidamente evocada pela "charada do copo": se ele é preenchido com água até a metade de sua capacidade, espera-se que um otimista diga que ele está "meio cheio" e que um pessimista reconheça um copo "meio vazio".
Em filosofia, otimismo é uma orientação característica do pensamento de Leibniz, que pode ser resumida na afirmação de que, sendo o universo criado por Deus, nele se torna possível conciliar o máximo de bem e o mínimo de mal, o que faz dele "o melhor dos mundos possíveis". Esta posição, exposta no século XVII, foi particularmente combatida por Voltaire no século XVIII, especialmente em sua obra satírica "Cândido, ou o Otimismo".
Já no início do século XIX, o filósofo anarquista inglês William Godwin foi ainda mais longe que Leibnitz em seu otimismo, ao supor que a sociedade humana tenderia a alcançar um estado em que a razão viria a substituir todo o uso da força e da violência, a mente controlaria a matéria e a inteligência descobriria o segredo da imortalidade.
De acordo com a psicologia:
Uma posição pessoal otimista é fortemente vinculada à auto-estima, ao bem-estar psicológico e à saúde física e mental. Há estudos que relacionam também o otimismo com o funcionamento do sistema imunológico e a resistência ao stress.
Mais recentemente, há uma tendência a associar otimismo e "pensamento positivo", baseada na vulgarização da idéia de que a vontade (muitas vezes combinada com a fé) pode superar qualquer dificuldade, o que está na origem de muitas religiões e de quase toda a pseudoliteratura de auto-ajuda.
Estudos acadêmicos sugerem que, apesar de otimismo e pessimismo serem tradicionalmente vistos como opostos, em termos psicológicos eles podem não funcionar dessa maneira. Ter muito otimismo não significa ter pouco pessimismo, e vice-versa. Em muitas ocasiões, ambos seriam igualmente necessários.
Quando o filósofo político italiano Antonio Gramsci escreveu, na prisão, que o "pessimismo da inteligência" não deveria abalar o "otimismo da vontade", estava citando o escritor francês Romain Rolland.

Esperança é a "confiança em conseguir o que se deseja". Otimismo é achar que os problemas são "passíveis de uma solução positiva". (Reinaldo Gonçalves)

Busquei algumas opiniões sobre o assunto em questão e encontrei nas palavras do educador Rubem Alves, o seguinte:
"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração. Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível”. Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural. Esperança é alegria a despeito de: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.

O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo. Hoje, é tudo o que temos ao nos aproximarmos do século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões.

Vejamos o que diz o artigo que retirei do site "Portal da Família":

É importante deixar claro que esperança não tem nada a ver com otimismo. A esperança é um sentimento mais complexo e muito mais profundo. O otimista acha que tudo vai dar certo, que tudo vai acabar bem. Mas sabemos que na vida não é assim. Nem sempre as coisas terminam como gostaríamos, por mais duro que seja aceitar isso. Aliás, tudo pode dar muito errado. Nutrir esperança é reconhecer, sempre baseado na realidade dos fatos, que, apesar de todas as dificuldades, é possível encontrar um caminho.

"O otimismo que é parte da esperança, torna-se a própria esperança e o pessimismo que é parte da desesperança torna-se a própria desesperança".
(Georges Bernanos)

O pedagogo Roberto Carlos Ramos ensina lições de otimismo. Para ele, a pessoa otimista não é aquela que se ilude que tudo é perfeito, mas acredita que haverá sempre um lado proveitoso até nas coisas mais difíceis.

C.R. Snyder é professor de Clínica Psicológica na Universidade do Kansas e ele tem um texto que achei bem interessante colocar aqui:
Aumentando a esperança em adultos
Nesta parte, são oferecidas algumas dicas para que os adultos aumentem seus níveis de esperança em relação aos objetivos estabelecidos, descubram os meios necessários e tornem-se motivados.
Dicas para os objetivos
• Torne-se mais consciente das decisões que toma sobre objetivos importantes.
• Estabeleça um objetivo porque é algo que realmente deseje, não porque alguém o quer para você.
• Estabeleça objetivos que exijam de você um pouco mais do que em seus desempenhos anteriores.
• Estabeleça diferentes objetivos em diferentes áreas (nos relacionamentos, nas amizades, na carreira etc.)
• Classifique os objetivos do mais para o menos importante. • Selecione poucos objetivos muito importantes para agir em direção a eles.
• Crie etapas intermediárias facilmente reconhecíveis para cada objetivo.
• Tenha certeza de dispor de tempo suficiente para seus objetivos mais relevantes.
• Não se deixe ser interrompido enquanto trabalha nesses objetivos importantes.
Dicas de caminhos

• Crie vários caminhos para cada um de seus objetivos.
• Escolha o melhor caminho para cada objetivo.
• Divida os objetivos de longo prazo em etapas.
• Comece pelo primeiro passo.
• Mentalize o que faria se encontrasse um obstáculo.
• Quando um caminho não funcionar, não se culpe. Reconhecendo qual estratégia não funcionou, perceba que isso vai auxiliá- lo a encontrar um outro caminho que funcione.
• Se precisar desenvolver uma nova habilidade para implementar um caminho até um objetivo desejado, invista um pouco de tempo nisso.
• Peça ajuda a outros ao planejar como chegar ao objetivo desejado.

Esses estudos demonstram que a esperança está no âmago do processo que facilita transformações positivas em uma variedade de relacionamentos .

Dicas de ação

• Aprenda a conversar consigo mesmo de forma positiva (por exemplo, diga “Eu posso fazer isso!”).
• Olhe à frente imaginando quais obstáculos poderiam surgir.
• Veja os problemas como desafios.
• Lembre-se de seus sucessos anteriores, especialmente quando estiver em dificuldades.
• Aprenda a rir de si próprio e desfrute uma boa risada com os amigos.
• Redefina ou encontre objetivos substitutos.
• Desfrute a sensação de chegar aos seus objetivos tanto quanto tentar atingi-los.
• Durma o suficiente.
• Faça várias pequenas refeições e alimente- se bem, principalmente pela manhã.
• Elimine cigarros, álcool e produtos que contenham cafeína.
• Faça exercícios físicos.
• Viva sempre com luz suficiente (especialmente luz solar).

Essas várias abordagens auxiliaram outras pessoas a fortalecer um modo de pensar esperançoso. Vale lembrar, também, que não é necessário empregar todas essas dicas, mas adotar algumas delas pode ajudar a fortalecer a esperança. Pessoas com elevada esperança também gostam de estar juntas de outras pessoas. Se essas outras pessoas possuem um senso de prazer pela vida, isso provavelmente ajudará nos relacionamentos. Embora não haja nenhuma receita para distribuir esperança, perceber que alguém pode aprender a pensar dessa forma é crucial para se tornar mais esperançoso. Ainda deve ser lembrado que as lições de um modo de pensar esperançoso nascem no berço e continuam por toda a vida.

No site "O Gerente" tem um artigo que fala muito bem do otimismo, inclusive ele divide em Bom e Ruim, apesar de ser bem direcionado para gerente de projetos, acredito que dele poderemos tirar algumas visões e lições para o nosso dia-a-dia, confira:

“O Gerente de Projetos deve limitar o otimismo no projeto”. Parece estranho dizer isso, não? Na realidade existe um otimismo bom e um otimismo ruim, o primeiro deve ser incentivado pelo Gerente, o outro combatido arduamente, pois pode ser um fator de alto risco para o fracasso do projeto.
A diferença entre os dois tipos de otimismo é o seguinte:

Otimismo Bom: é aquele que leva a equipe e outros stakeholders a acreditarem no projeto, buscar a superação nas dificuldades e agir em direção a um bom resultado. Neste tipo de otimismo, ainda impera o realismo, ou seja, há uma visão clara e transparente da situação do projeto para que as decisões tomadas sejam as mais corretas possíveis.
Otimismo Ruim: é aquele que cega o líder e a equipe, e gera expectativas irreais, previsões inalcançáveis e desculpas esfarrapadas. Além de dificilmente atingir os objetivos, a equipe excessivamente otimista joga a culpa do erro em algum dos fatores que não atingiram os objetivos irreais, e não no planejamento errôneo que foi feito.

Então, que fique bem claro: não estou pregando que o Gerente de Projeto deva ser pessimista. Muito pelo contrário, ele deve ser um dos mais otimistas no projeto, e deve usar o otimismo como fator de motivação para a equipe. No entanto, sempre com o pé no chão e garantindo que as decisões, premissas e expectativas possuem uma âncora sólida.
O fato é que, se todas as variáveis são levadas em consideração a partir de uma visão muito otimista, inevitavelmente algumas não atingirão o resultado desejado, e isto impactará em tempo, custos e qualidade. Em outras palavras, na média alguns resultados ficarão fora do desejado e não haverá margens para recuperar o tempo/dinheiro perdidos. Novamente, neste caso a culpa foi do planejamento, não do objetivo específico que não foi atingido.
Para detectar e corrigir o excesso de otimismo, a melhor ferramenta para o Gerente de Projeto é o questionamento. Devem-se buscar com a equipe as fontes de dados e informações que levaram a uma decisão ou previsão. Se estas fontes não são totalmente sólidas, é necessário avaliar cenários alternativos, com perspectivas diferentes das iniciais. O Gerente deve descobrir os diferentes caminhos e probabilidades que uma situação pode gerar.

Estas são duas pequenas dicas que com o tempo percebi que ajudam a trazer a realidade de volta às atividades do projeto:
1. Quando alguém da equipe diz “Ah, eu acho que conseguimos”, desconfie instantaneamente. Não que a capacidade do grupo deva ser questionada, mas é um sinal de que o tema deve ser explorado mais a fundo antes de aceitar uma perspectiva.
2. Documente as informações. Quando a previsão ou informação que alguém lhe passa é documentada, a pessoa terá um cuidado especial em mostrar a realidade ao invés de apresentar situações quase impossíveis de alcançar, já que saberá que se o resultado não for atingido, será confrontado com o que disse no começo.
Finalmente, lembre-se: dar expectativas excessivamente otimistas é algo natural de alguns profissionais, já que buscam um conforto momentâneo (dar a informação que o chefe ou outros querem ouvir), com a esperança de não serem questionados no futuro. Dentro de um projeto, o Gerente de Projeto é a pessoa responsável por eliminar este tipo de cultura e atitude, criando um ambiente de transparência no trabalho em equipe.

"A esperança é como uma fagulha dos bens futuros na mente, que é alimentada pela serragem. A esperança é como uma certa MEMÓRIA das alegrias invisíveis, que no coração do homem aquece interiormente seus lugares mais escondidos e não permite que se seque pelo frio da infidelidade no inverno do mundo presente. E enquanto a esperança viver em nossa mente, nunca se secará a árvore da sabedoria, mas assim como o verdor do tronco conserva-se ileso enquanto for mantido o equilíbrio do humor e do calor, assim também a alma não pode secar quando o calor do Espírito Santo irradia e a nutre pelo alto e a aplicação à boa operação a rega por baixo."
(Hugo de São Vítor)

O que posso dizer ao final desta nossa aventura é que seja na vida profissional ou pessoal sou alguém esperançosa e otimista, e esta afirmação tirei de cada pesquisa que aqui dividi com vocês. Outra conclusão também que pude tirar é que vive-se melhor e mais levemente aquele que encara tudo o que acontece em sua vida com esperança e otimismo, caso contrário a desesperança e o pessimismo "travam" o andar da nossa carruagem a que denominamos VIDA.
Um grande abraço a todos e meus sinceros agradecimentos a você leitor assíduo deste Blog que é feito com muito carinho pra você.
Até semana que vem!

Fontes:

Um comentário:

José disse...

Ola Luisa!
Parabens pela postagem sobre o otimismo x esperança.
Muito proveitosa e gostaria de ressaltar que a esperança como voce comentou, é coisa Divina, e ninguém pode subtraí-la do meu e do seu coração, o otimismo é importante, e uma recente pesquisa publicada na revista science daily, e no jornal Estadao do dia 24 de março de 2010, reforça a importancia do otimismo para nossa saúde, para o nosso sistema imunológico. A bíblia mesmo traz no livro de provérbios 17:22 " O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos" Isto destaca a importancia do otimismo em nossa vida, mas ele não é o todo, pois como disse inicialmente e endossando a matéria do psicanalista Rubem Alves o otimismo é exógeno, mas a esperança é endógena, e o endógeno não perde sua essencia mesmo em meio as situações exógenas.
Voce foi muito feliz em abordar este tema, tudo de bom para você!
E até outra hora!
José Carlos Basílio dos Santos

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