sábado, 25 de outubro de 2008

DOENÇA E CARMA

Por Luisa Monteiro



Por muitas nos questionamos porque algo nos acontece. Ouvi uma vez na rádio, Pe. marcelo Rossi dizer: "Não pergunte PORQUE, mas PARA QUE? Acredito fielmente que tudo o que nos acontece nessa nossa passagem terrena chamada: VIDA, nos acontece para o nosso crescimento interior e espiritual, se não aprendemos algo com o acontecimento, ele tornará a acontecer até que tenhamos realmente aprendido tal lição.

Abaixo, trechos do livro "Grace and Grit", de Ken Wilber, onde este filósofo e pensador nos dá a conhecer a relação ao difícil problema que ele e sua esposa, enfrentaram: o câncer (que acabou por vitimá-la). Na visão "new age", a doença é uma lição. Você está se permitindo esta doença porque há algo muito importante a aprender com ela a fim de continuar seu crescimento espiritual. A mente sozinha causa a doença e somente a mente pode curá-la. Segue a visão integralista de Ken Wilber:

A VISÃO "NEW-AGE" SOBRE DOENÇA E CARMA
Tradução de Ari Raynsford

1. O argumento básico da filosofia perene é que homens e mulheres estão imersos na Grande Cadeia do Ser. Isto é, temos em nós matéria, corpo, mente, alma e espírito.
2. Para cada doença, é extremamente importante tentar determinar que nível ou níveis primariamente a originam – físico, emocional, mental ou espiritual.
3. É muito importante usar procedimento do "mesmo nível" (mas não necessariamente o único) para o rumo inicial do tratamento. Use intervenção física para doenças físicas, terapia emocional para distúrbios emocionais, métodos espirituais para crises espirituais e assim por diante. No caso de uma mistura de causas, use uma mistura de tratamentos dos níveis apropriados.
4. Isto é especialmente importante porque se você errar no diagnóstico da doença pensando que ela origina-se num nível mais elevado, então gerará culpa; se diagnosticá-la num nível inferior ao correto, gerará desespero.

Em qualquer dos casos, o tratamento não será eficaz, com a desvantagem adicional de gerar no paciente culpa ou desespero devido somente a um erro de diagnóstico. Por exemplo, se você for atropelado por um ônibus e quebrar a perna, esta é uma doença física com recursos físicos: coloca-se o osso no lugar e engessa-se a perna. É uma intervenção do "mesmo nível". Você não se senta na calçada e visualiza sua perna curando-se. Esta é uma técnica do nível mental que não é efetiva para este problema do nível físico. E mais, se lhe disserem que a causa do seu acidente foram simplesmente seus pensamentos e que você deveria ser capaz de curar sua perna com seus pensamentos, então a única coisa que vai acontecer é que você sentirá culpa, irá autocondenar-se e sua auto-estima diminuirá. É um completo descasamento de níveis e tratamentos.
Por outro lado, se você está sofrendo, digamos, de baixa auto-estima por causa de certos papéis internalizados de que é um fraco e um incompetente, este é um problema do nível mental que responde bem a intervenções do nível mental, tais como visualização ou afirmação (reescrita do papel – exatamente o que a terapia cognitiva faz). Se usar intervenções do nível físico – tomar megavitaminas ou mudar sua dieta – não terá muito efeito (a menos que você realmente esteja com um desbalanceamento vitamínico contribuindo para o problema). E se tentar usar somente tratamentos do nível físico, terminará em alguma forma de desespero, porque os tratamentos são do nível errado e simplesmente não funcionarão bem.
Assim, em minha opinião, a abordagem genérica para qualquer doença deve começar de baixo para cima. Primeiro, procure por causas físicas. Pesquise todas as possibilidades da melhor maneira. Depois, pesquise possíveis causas emocionais; seja exaustivo. Então passe para causas mentais e, por fim, espirituais.
Isto é particularmente importante, porque muitas doenças que no passado eram creditadas a origens puramente psicológicas ou espirituais, hoje sabe-se que são causadas principalmente por componentes físicos ou genéticos. Antigamente, pensava-se que a asma se devia a uma "mãe asfixiante". Hoje sabe-se que ela é principalmente biofísica nas causas e na emergência. Tuberculose era fruto de uma "personalidade consumptiva"; gota, de fraqueza moral. Acreditava-se largamente em uma "personalidade artritóide", que não resistiu ao teste do tempo. Tudo o que essas crenças faziam era gerar culpa em suas vítimas; as curas não aconteciam simplesmente porque estavam sendo considerados os níveis errados.
Entretanto, isto não significa que os tratamentos dos outros níveis não sejam muito importantes como suporte ou coadjuvantes. Definitivamente, eles poderão ser. No exemplo simples da perna quebrada, técnicas de relaxamento, visualização, afirmação, meditação, psicoterapia se necessária – todas elas podem contribuir para uma atmosfera mais equilibrada na qual a cura física poderá ocorrer mais facilmente e rapidamente.
O que não ajuda é, considerando-se que todos esses aspectos psicológicos e espirituais podem ser muito úteis, afirmar-se que a razão de você ter quebrado sua perna é que lhe faltam, em primeiro lugar, essas características psicológicas e espirituais. Uma pessoa acometida de uma doença grave pode modificar-se profundamente em função da mesma; daí não se pode inferir que ela contraiu a doença por falta de mudanças. Isto é o mesmo que pensar: se você está com febre e toma uma aspirina, a febre baixa; portanto, ter febre deve-se a uma deficiência de aspirina.
Agora, obviamente muitas doenças não se originam de um simples nível isolado. O que quer que aconteça em um nível ou dimensão do ser afeta todos os outros níveis em maior ou menor grau. A composição emocional, mental e espiritual de uma pessoa com certeza pode influenciar na doença física e na cura física, do mesmo modo que a doença física pode repercutir fortemente nos níveis superiores. Quebre sua perna e este fato provavelmente acarretará efeitos emocionais e psicológicos. Na teoria de sistemas isto é chamado "causação ascendente" – um nível mais baixo produz certos eventos em um nível mais alto. E o inverso, "causação descendente", é quando um nível mais elevado tem um efeito causal ou influencia um nível mais baixo.A pergunta, então, simplesmente é: quanta "causação descendente" nossa mente – nossos pensamentos e emoções – tem na doença física? E a resposta parece ser: muito mais do que se pensava anteriormente, mas muito menos do que os adeptos da "new age" acreditam.
A nova escola da psiconeuroimunologia (PNI) tem descoberto evidências convincentes de que nossos pensamentos e emoções podem influenciar diretamente nosso sistema imunológico. O efeito não é grande, mas é detectável. Obviamente, isto é o que esperaríamos do axioma segundo o qual todos os níveis afetam todos os outros níveis de algum modo, embora secundariamente. Mas, uma vez que a medicina enveredou para uma ciência puramente do nível físico e desconsiderou a influência dos níveis superiores na doença nível-físico ("o fantasma na máquina"), a PNI veio prover a correção necessária, oferecendo uma visão mais equilibrada. A mente pode afetar o corpo num grau pequeno, mas não insignificante.Em particular, descobriu-se que formação de imagens e visualização talvez sejam os mais importantes ingredientes na influência "pequena mas não insignificante" da mente sobre o corpo e sobre o sistema imunológico. Por que imagem? Observemos a versão mais completa da Grande Cadeia do Ser, notando onde as imagens ocorrem: matéria, sensação, percepção, impulso, imagem, símbolo, conceito e assim por diante. A imagem é a mais baixa e a mais primitiva parte da mente, colocando-a diretamente em contato com a parte mais alta do corpo. Em outras palavras, a imagem é a conexão direta da mente com o corpo – suas tendências, seus impulsos, sua bioenergia. Nossos pensamentos e conceitos mais elevados podem ser traduzidos para baixo em simples imagens e estas, aparentemente, têm influência modesta, porém direta, nos sistemas do corpo (via influência ou impulso, a dimensão inferior seguinte).
Então, todas as coisas consideradas, as tendências psicológicas representam algum papel em cada doença. E concordo que esse componente deve ser exercitado ao máximo. Numa eleição, essas tendências podem ser suficientes para fazer pender o prato da balança em favor da saúde ou da doença, mas, sozinhas, não são capazes de encher a urna de votos.Assim, como Steven Locke e Douglas Colligan escreveram em The Healer Within (O Curador Interno), com efeito, toda doença tem um componente psicológico e todo processo de cura é afetado pela psicologia. Mas, continuam os autores, o problema é que as pessoas confundem o termo psicossomático, que significa que um processo de doença física pode ser afetado por fatores psicológicos, com o termo psicogênico, que significa que a doença é causada somente por fatores psicológicos. Os autores afirmam: "No sentido correto da palavra, toda doença pode ser considerada psicossomática; talvez seja a hora de aposentar definitivamente o termo psicossomático. [Porque] tanto o público como alguns médicos usam as palavras psicossomático (significando que a mente pode influenciar a saúde do corpo) e psicogênico (significando que a mente pode causar doenças no corpo) intercambiavelmente. Eles perderam de vista o verdadeiro significado de doença psicossomática." Como Roberto Ader sugere, "Não estamos falando sobre a causação das doenças mas sim da interação entre eventos psicossociais e condições biológicas pré-existentes."Os próprios autores mencionam hereditariedade, estilo de vida, drogas, local, ocupação, idade e personalidade. É a interação de todos esses fatores – eu adicionaria fatores existenciais e espirituais – de todos os níveis que, juntos, parecem influenciar a causa e o curso das doenças físicas. Escolher um desses fatores e ignorar os demais é uma simplificação absurda.
Então, de onde vem essa idéia dos divulgadores da "new age" de que sua mente sozinha causa e cura todas as doenças físicas? Eles afirmam, afinal, ter uma sólida base nas grandes tradições místicas, espirituais e transcendentais do mundo. E, aqui, acho que eles se encontram num campo minado. Jeanne Achterberg, autora de Imagery in Healing (que recomendo com empenho), acredita que esta noção pode ser historicamente rastreada até o Novo Pensamento, ou Pensamento Metafísico, que emergiu de uma leitura (distorcida) dos Transcendentalistas da Nova Inglaterra, Emerson e Thoreau, os quais basearam muito da sua obra no misticismo oriental. As escolas do Novo Pensamento, das quais a Ciência Cristã é a mais famosa, confundem a noção correta "Deus cria tudo" com a noção "Desde que eu sou um com Deus, eu crio tudo." Esta posição apresenta dois erros e, acredito, teria a discordância veemente tanto de Emerson quanto de Thoreau. Primeiro, que Deus é uma pai interveniente para o universo ao invés de Realidade, Essência ou Condição imparcial. E segundo, que o ego é um com esse Deus paternal e, portanto, pode intervir e ordenar o universo ao redor. Não encontrei o menor suporte para estas noções em quaisquer das tradições místicas.Os advogados da "new age" afirmam estar baseando esta idéia no princípio do carma, que diz que as circunstâncias da sua vida atual são o resultado de pensamentos e ações de uma vida passada. De acordo com o Hinduísmo e o Budismo, isto é parcialmente verdadeiro. Mas mesmo que fosse totalmente verdadeiro, o que não é, os adeptos da "new age", em minha opinião, passaram por cima de um ponto crucial: conforme essas tradições, suas circunstâncias presentes são o resultado de pensamentos e ações de uma vida anterior e seus pensamentos e ações atuais afetarão, não sua vida presente, mas sua próxima vida, sua próxima encarnação. Os budistas dizem que na vida atual você está simplesmente lendo um livro que escreveu na vida passada e o que você está fazendo agora só se concretizará em sua próxima vida. Em nenhum dos casos, seu pensamento presente cria sua realidade atual.
Agora, acontece que, pessoalmente, não acredito nesta visão particular de carma. É uma noção muito primitiva, subseqüentemente refinada (e largamente abandonada) pelas escolas superiores do Budismo, onde reconheceu-se que nem tudo que acontece com você é resultado das suas ações passadas. Como Namkhai Norbu, mestre do Budismo Dochen (geralmente considerado como o pináculo do ensinamento budista), explica: "Há doenças devidas ao carma ou a condições prévias do indivíduo. Mas também há doenças geradas por energias que vêm de outros, de fora. E há doenças provocadas por causas provisionais, como alimentos ou outras combinações de circunstâncias. E há doenças devidas a acidentes. Assim, há todos os tipos de doenças ligadas ao ambiente." Minha opinião é que nem a versão primitiva do carma nem os ensinamentos mais desenvolvidos dão suporte à visão "new age".
Então, de onde realmente veio esta noção? Aqui, afastar-me-ei de Treya e apresentarei minha teoria predileta sobre as pessoas que assim acreditam. Não irei falar com compaixão sobre os sofrimentos que essas idéias causam. Tentarei separá-las, categorizá-las, formular teorias sobre elas, porque creio que essas idéias são perigosas e precisam ser arrumadas, se não por qualquer outra razão, pelo menos para prevenir sofrimentos posteriores. E meus comentários não são dirigidos ao grande número de pessoas que acreditam nelas de um modo inocente, ingênuo e inócuo. Tenho mais em mente os líderes nacionais desse movimento, indivíduos que dão seminários criando sua própria realidade; que desenvolvem "workshops" que ensinam, por exemplo, que o câncer é causado somente por ressentimento; que ensinam que a pobreza é responsabilidade sua e a opressão, algo que você trouxe consigo. Talvez sejam pessoas bem-intencionadas, mas, de qualquer modo, em minha opinião, perigosas, uma vez que desviam a atenção dos níveis reais – físico, ambiental, legal, moral e sócio-econômico, por exemplo – onde há muito trabalho a ser realizado urgentemente.
Para mim, essas crenças – particularmente a crença de que você cria sua própria realidade – são crenças do nível dois. Elas têm todas as marcas autenticadoras da visão de mundo infantil e mágica das desordens de personalidade narcisísticas. A idéia de que os pensamentos não só influenciam a realidade como também a criam é o resultado direto, em minha opinião, da diferenciação incompleta da fronteira do ego que define o nível dois. Pensamentos e objetos não são claramente separados; assim manipular o pensamento é manipular de modo onipotente e mágico o objeto.
Acredito que a cultura hiperindividualista da América, que atingiu seu apogeu na "década do eu", incentivou a regressão para os níveis narcisístico e mágico. Creio (como Robert Bellah e Dick Anthony) que o colapso de estruturas sociais mais coesivas levou os indivíduos de volta a seus próprios recursos, e isto também ajudou a reativar tendências narcisísticas. E acredito, junto com psicólogos clínicos, que por baixo da superfície do narcisismo, furtivamente está a raiva, particularmente, mas não somente, expressa pela crença: Não quero machucar você, eu a amo; mas se você discordar de mim contrairá uma doença que a matará. Concorde comigo, concorde que pode criar sua própria realidade e você melhorará, você viverá." Isto não tem nenhuma base nas grandes tradições místicas do mundo; baseia-se em patologia narcisística e limítrofe.
Enquanto a maioria da correspondência e respostas da revista New Age concordava com meu sentimento de insulto moral com respeito ao que essas idéias estavam fazendo a tanta gente inocente, os new agers radicais reagiam furiosamente dizendo coisas como: se eu e Treya pensávamos daquela maneira ela merecia estar com câncer; ela o estava gerando em si mesma com esses pensamentos.Esta não é uma condenação cega de todo o movimento "new age". Há aspectos dele – acima de tudo é uma besta grande e variada – que efetivamente baseiam-se em genuínos princípios místicos e transpessoais (como a importância da intuição e a existência da consciência universal). O problema é que qualquer movimento genuinamente transpessoal sempre atrai um grande número de elementos pré-pessoais, simplesmente porque ambos são não-pessoais; é exatamente esta confusão entre "pré" e "trans" um dos principais problemas do movimento "new age" em minha opinião.
Nossos amigos "esquisitos" ficam danados conosco porque pensam existir somente dois campos no mundo: racional e não-racional; assim, deveríamos juntar-nos a eles contra o campo racionalista. Mas há de fato três campos: pré-racional, racional e transracional. Na realidade, estamos mais próximos dos racionalistas do que dos pré-racionalistas. O Budismo é um sistema extremamente racional que complementa a racionalidade com a consciência intuitiva.
Mas deixe-me concluir esta discussão reafirmando meu ponto original: ao tratar qualquer doença, esforce-se ao máximo para determinar de quais níveis estão provindo os seus vários componentes e use os tratamentos do mesmo nível para lidar com eles. Se você identificar corretamente os níveis, você gerará ação que terá a mais alta chance de ser curativa; se você errar, gerará somente culpa ou desespero.
Um bom final de semana a todos!
Um grande abraço!!!
Luisa Leila Monteiro

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OS TRÊS ÚLTIMOS DESEJOS DE ALEXANDRE "O GRANDE"

Quando à beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus 3 últimos desejos:

1 - que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2 - que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);

3 - que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1 - Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;

2 - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3 - Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida...

A VIDA PASSA...

Se pudéssemos ter consciência de quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades de felicidade. Para nós e para os outros. No jardim, algumas flores são colhidas cedo demais. Algumas mesmo em botões. Há sementes que nunca brotam, assim como há flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranqüilas, vividas, se entregam ao vento.
Muitos de nós, cegos pela pressa, pela busca de duvidosos status e pelos tantos “compromissos” não sabem adivinhar a duração da beleza de todas as flores que foram plantadas em nosso redor. E cuidamos mal. Descuidamos de nós e dos outros. Vivemos tristes e preocupados com coisas pequenas. Nos afligimos demais com horários e perdemos tempo, jogamos fora horas e minutos preciosos. Perdemos dia, às vezes anos, quando não a vida toda.
Na maioria das vezes, calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando é hora de contemplar o silêncio. Deixamos de dar o beijo, o abraço ou o aperto de mão que tanto nossa alma pede, porque algum orgulho bobo ou um preconceito inócuo impede essa aproximação. Não confessamos amar uma pessoa do mesmo sexo porque “pode pegar mal”. Não declaramos nosso afeto porque imaginamos que o outro conhece nossos sentimentos.
Assim corre o tempo, passa a vida e nós continuamos os mesmos, fechados em nós, circunspectos, arrogantes, embrutecidos. Reclamamos aquilo que nos falta e deixamos de reconhecer e agradecer tudo o que possuímos, sempre achando que temos de menos. De outro lado, compramos, gastamos, consumimos e esbanjamos, sempre comparando nossa vida com a daqueles que julgamos serem mais felizes que nós. E se nos comparássemos com aqueles que têm menos?
Nesses pensamentos pequenos a vida passa. O tempo passa. Passamos pela vida em geral esquecidos de viver. Apenas sobrevivemos. E justamente porque não sabemos fazer coisa melhor... Não aprendemos a tirar da vida o que ela tem de melhor. Um dia, inesperadamente, acordamos, olhamos para trás e constatamos a inutilidade de tudo quanto se fez nesta vida. E perguntamos: E agora? Pode ser tarde demais. Hoje ainda se pode, quem sabe, reconstruir alguma coisa, dar um abraço, perdoar, pedir perdão, agradecer, dizer “eu te amo”. O ser humano nunca é velho ou jovem demais para amar e ser amado, e assim encontrar um sentido para sua existência. O coração do afeto não tem idade. Não vamos perder tempo olhando para trás. Vamos viver hoje, curtindo o presente com olhos fitos no amanhã. Ainda há tempo de apreciar as flores, colocar os pés no riacho, assistir um pôr-do-sol. Há tempo para nos voltarmos para Deus e para os outros. A vida, ainda que passageira, está em nós. É preciso viver bem pois, só se vive uma vez. Pior que perder a vida diante da morte é desaproveitá-la no decorrer da existência.

Antônio Mesquita Galvão
(Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2007)

Hoje é tempo de ser FELIZ!!!

A vida é fruto da decisão de cada momento.
Talvez seja por isso, que a idéia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver.
Viver é plantar.
É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes.
Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos.
Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós, será plantação que poderá ser vista de longe...
Para cada dia, o seu empenho.
A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!"
Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado.
As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura. Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos!
Infelicidade, talvez seja o contrário.
O que não podemos perder de vista é que a vida não é real fora do cultivo.
Sempre é tempo de lançar sementes...
Sempre é tempo de recolher frutos.
Tudo ao mesmo tempo.
Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã!
Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra.
Cuidado com os semeadores que não lhe amam.
Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas. Cuidado com os semeadores que você não conhece.
Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores...
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa. Cuidado com os amores passageiros... eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam...
Cuidado com os invasores do seu corpo... eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem...
Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...
Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade... Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.
Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.
Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.
Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.
Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito...
A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..."
Vai em frente.
Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.
Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.
Isso prova que Ele ainda acredita em você.
E se Ele ainda acredita, quem sou eu pra duvidar... (?)

Padre Fábio de Melo

Por Paulo Coelho

Por Paulo Coelho
Comportamento
Gilberto de Nucci tem uma excelente imagem a respeito de nosso comportamento.
Segundo ele, os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.
Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades.
Na sacola de trás,guardamos todos os nossos defeitos.
Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos, impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante, em todos os defeitos que ele possui.
E julgamo-nos melhores que ele – sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

Vale a pena pensar a respeito!!!